Projeto de extensão do Unilavras promove mesa-redonda “Quebrando o Ciclo: Vozes Contra a Violência”

Na última quinta-feira (11), o auditório do Unilavras recebeu a mesa-redonda “Quebrando o Ciclo: Vozes Contra a Violência”, promovida pelo Projeto de Extensão Preciosas, vinculado ao curso de Psicologia. O evento reuniu representantes de órgãos e entidades que atuam diretamente no enfrentamento à violência contra a mulher, além de professores do curso de Psicologia, para um debate multidisciplinar sobre o tema. O espaço foi decorado com estatísticas sobre feminicídio no Brasil e camisetas manchadas de sangue, ilustrando a gravidade da pauta.

A programação contou com falas de convidados de diferentes frentes de atuação. A vereadora e educadora popular Rose Oliveira abordou a luta cotidiana pela dignidade das mulheres e o papel da educação popular como ferramenta de transformação social. Já a psicóloga Aracelly Galvino Alvarenga, coordenadora de um Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) em Lavras e presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, falou sobre o funcionamento dos equipamentos públicos de proteção e sua relação com a gestão dos direitos das mulheres no município.

Por sua vez, a Defensora Pública Tifanie Avellar Carvalho apresentou o trabalho da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Lavras e a atuação da Defensoria nas medidas protetivas de urgência. Na sequência, a advogada criminalista e professora do Unilavras, Walkiria Oliveira Freitas, discutiu a interseção entre o Direito Penal e a proteção das mulheres em situação de violência.

Encerrando o debate, os professores do curso de Psicologia Rafael Gomes, Ismael Pereira de Siqueira e Néreo Wilker Vicente conduziram uma reflexão sobre masculinidade, processos de socialização e normas de gênero, apontando caminhos para novas formas de ser homem como parte essencial do enfrentamento à violência de gênero.

Iniciativas como essa ganham relevância em um cenário nacional alarmante em que a urgência por ações concretas se reflete nos indicadores mais recentes da segurança pública nacional. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o primeiro trimestre de 2026 registrou o período mais letal da história para o público feminino no Brasil, com 399 feminicídios acumulados. Diante desse quadro crítico, o Unilavras cumpre um papel fundamental ao abrir suas portas para debater o tema, conectando o conhecimento acadêmico à rede de proteção local para construir caminhos de transformação social e interrupção desse ciclo.



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